Presidente da Amec participa da 16ª Conferência Brasileira do Ibracon

O Presidente da Amec, Fábio Coelho, participou na última terça-feira (2/06) da 16ª  Conferência Brasileira de Contabilidade e Auditoria Independente, promovida pelo Ibracon (Instituto de Auditoria Independente do Brasil). Durante o evento, integrou o painel “Confiança em rede: papéis, responsabilidades e a governança do mercado de capitais”, ao lado de Valéria Café, Diretora-Geral do IBGC; Zeca Doherty, Diretor-Executivo da Anbima; Guy Almeida Andrade, Auditor Independente e ex-Presidente do Ibracon; e Fernando Torres, Editor-Executivo do Valor.

O Presidente da Amec analisou que os momentos de crise representam uma oportunidade para refletir sobre o poder e os mecanismos de proteção. Segundo ele, quando se discute a implementação de camadas adicionais de segurança, a primeira preocupação costuma estar relacionada aos custos. Muitas empresas resistem às mudanças, mas a questão central diz respeito à ampliação da segurança e da proteção institucional.

Como exemplo, Fábio Coelho citou a proposta apresentada há poucos meses pela B3 para aprimorar a governança do Novo Mercado, principal segmento de listagem. De acordo com ele, a reação inicial de diversas companhias foi de rejeição às mudanças, sob o argumento de que gerariam custos adicionais.

Ele ressaltou ainda que a criminalidade tem avançado em diferentes setores da sociedade, incluindo o sistema financeiro, muitas vezes como consequência de fragilidades nos processos. E se as medidas adotadas até agora não têm produzido os resultados esperados, é necessário buscar novas soluções.

“Obviamente isso tem um custo, mas é o mesmo raciocínio que vimos décadas atrás, quando alguém defendeu a obrigatoriedade do uso do cinto de segurança nos veículos. Vejo este como um momento oportuno para questionarmos, como sociedade, o quanto estamos realmente dispostos a evoluir e investir em aperfeiçoamentos”, concluiu.

Outro ponto debatido entre os participantes do painel foi a necessidade de tornar mais efetivos os mecanismos de responsabilização e punição no país. Para José Carlos Doherty, da Anbima, o problema não está na insuficiência da regulação existente, mas na falta de consequências efetivas para quem frauda.

Fernando Torres, do Valor Econômico, endossou a avaliação: “É mais uma questão de enforcement e de fazer o processo sancionador funcionar do que de nova legislação.” E acrescentou: “Quando a punição demora, fica parecendo que não aconteceu. Justiça tardia também não é justiça”.

Valéria Café lembrou que, diante de tantos desafios apresentados nos últimos meses, os princípios de governança devem ser lembrados nas discussões dos fóruns internos nas companhias.

Conferência Latino-Americana – Realizado nos dias 2 e 3 de junho, no Teatro Bradesco, em São Paulo, o evento reuniu especialistas e lideranças do mercado para debater cenários, compartilhar conhecimento e antecipar tendências que impactam a auditoria independente. Nesta edição, a conferência cresceu com a realização simultânea da Conferência Latino-Americana de Auditoria e Governança, ampliando o diálogo institucional e fortalecendo a integração com representantes internacionais.

Com mais de 2 mil participantes, entre presencial e online, a cerimônia de abertura contou com a participação de Sebastian Soares, Presidente do Ibracon; Ailton de Aquino Santos, Diretor de Fiscalização do Banco Central do Brasil; Joaquim Bezerra, Presidente do Conselho Federal de Contabilidade; e Otto Lobo, Presidente indicado para a CVM. Durante a abertura, a confiança foi destacada como elemento fundamental para o bom funcionamento dos mercados e para o fortalecimento das instituições.

“Mercados fortes não dependem de um único ator. Dependem de uma rede de responsabilidades compartilhadas. Se a gente quer tornar o Brasil um país forte e protagonista como polo de investimento, todos nós, coletivamente, precisamos assumir esse papel de gatekeepers”, disse Sebastian Soares na abertura.