Relatório Consolidado do CBS indica evolução do stewardship no mercado brasileiro
A prática de stewardship tem avançado de forma gradual e consistente no Brasil, conforme aponta o Relatório de Análise Consolidado de Stewardship 2025 (ano-base 2024), elaborado pelo Comitê Executivo do Código Brasileiro de Stewardship (CBS). Com organização da Amec e CFA Society Brazil, a iniciativa apresenta uma análise detalhada sobre o estágio de maturidade e o nível de adoção do código no mercado de capitais brasileiro, indicando progressos relevantes e os desafios a serem superados.
“O ano de 2025 revelou uma evolução mais consistente na trajetória do CBS, após ciclos de aprendizado e amadurecimento principalmente pelos signatários locais. O último ciclo de reporte consolidado (2024) evidenciou avanços em diversas das dimensões analisadas”, diz trecho do relatório.
É possível observar que as políticas se tornaram mais robustas, os processos de engajamento mais estruturados e as métricas de acompanhamento mais precisas.

Segundo Renato Vetere, Coordenador do Comitê-Executivo, houve uma evolução importante no comportamento dos investidores locais. “Vemos uma melhora por parte dos investidores brasileiros. Ainda existe uma diferença no reporte de informações entre a experiência do investidor estrangeiro e aquela dos investidores locais com relação ao stewardship, mas observar esse avanço ao longo dos últimos anos é muito importante”, destacou.
Principais resultados – Entre os principais resultados, o relatório indica progresso na implementação dos princípios trazidos pelo CBS. Os gestores brasileiros vêm evoluindo de forma consistente no entendimento do valor estratégico da cultura do stewardship. Foram analisados 23 relatórios, incluindo 19 investidores institucionais brasileiros e 4 estrangeiros.
Muitos signatários atenderam às recomendações apresentadas pelo Comitê-Executivo no último relatório (ano-base 2023), demonstrando alinhamento às diretrizes do código e abertura para o aprimoramento contínuo. Também tornou mais frequente a inclusão de casos concretos e dados objetivos nos relatórios, o que amplia a transparência e permite avaliações mais precisas das atividades de stewardship.
Oportunidades de melhoria – Apesar dos avanços, o relatório destaca oportunidades de melhoria, como a necessidade de maior conhecimento técnico sobre o tema, a formação de profissionais e áreas dedicadas à aplicação dos princípios do CBS, além da importância de que todos os signatários contem com programas de stewardship estruturados e devidamente divulgados. A adaptação de modelos internacionais bem-sucedidos à realidade local é apontada como um caminho viável para acelerar o processo de maturidade no país.
“No ano passado foi possível observar iniciativas mais estruturadas, com maior compromisso das instituições em atender aos princípios de stewardship, compreendendo que essa prática gera transparência, responsabilidade e cria valor não apenas para o investidor, mas também para as companhias investidas e para os clientes dos gestores”, concluiu Vetere.
Histórico e estrutura atual – No Brasil, o stewardship vem sendo implementado e difundido pela Amec desde 2016, e recebeu importante impulso ao contar com o apoio do CFA Society Brazil a partir de 2021, quando o código passou a utilizar a denominação Código Brasileiro de Stewardship (CBS). O novo código manteve os princípios e diretrizes do documento original.
Atualmente o Conselho Deliberativo do CBS é formado por Fábio Coelho, Presidente da Amec, e Lucas Correa, Presidente do CFA Society Brazil. A aplicação do CBS conta com o trabalho de um Comitê-Executivo, formado por um coordenador e cinco membros, com representação das duas entidades.
