Amec amplifica voz contrária ao recuo da CVM nos reportes de sustentabilidade

A decisão da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) de revogar a obrigatoriedade da divulgação dos relatórios de sustentabilidade motivou uma série de posicionamentos e manifestações da Amec e de outras entidades representativas do mercado de capitais. O Presidente Executivo da Associação, Fábio Coelho, tem se manifestado em diversos veículos da mídia contra o recuo na regulação que tornou voluntária a divulgação do reporte de informações ESG pelas companhias abertas de acordo aos modelos IFRS S1 e S2.

Em entrevista à Revista Capital Aberto, o Presidente da Amec, classificou a medida como um “retrocesso”, destacando as consequências negativas no desenvolvimento do mercado. “Estamos desperdiçando uma excelente oportunidade de posicionar o Brasil na vanguarda dos reportes corporativos”, afirmou Coelho. Ele tem sustentado o posicionamento da Associação em diversas reportagens publicadas na mídia.

Em reportagem publicada no jornal O Globo, Fábio Coelho destacou que não houve interação qualificada com mercado para que houvesse flexibilização. “Na hora de criar uma nova versão de uma decisão, o órgão não interagiu de maneira qualificada com o mercado”, disse em referência ao tempo de discussão para a medida entrar em vigor, iniciada em 2020.

Na Capital Reset, ele afirmou que o recuo é lido como um revés histórico. “É um sentimento de perda de uma Copa do Mundo. Agora a gente precisa reconstruir esse caminho, juntar os cacos do que ficou após essa decisão”, disse.

Além disso, Coelho tem amplificado publicamente a posição da Amec em recentes eventos do mercado, como por exemplo, durante sua apresentação na 16ª Conferência Brasileira de Contabilidade e Auditoria Independente, quando reiterou a posição contrária à decisão da CVM.

Manifestação conjunta – A Amec participou da elaboração e envio de uma carta com o posicionamento de diversas entidades como o Ibracon, IBGC, Apimec, entre outras, para a CVM no início de junho. “Causou-nos surpresa a mudança de orientação dessa autarquia no tocante ao tema, especialmente considerando que no início deste ano houve manifestação expressa de reconhecimento da assertividade da Resolução CVM 193/2023, o que foi feito com consistente fundamento técnico, por meio do Ofício 01/2026”, diz trecho da carta.

A obrigatoriedade prevista na regulação de 2023 foi derrubada pela Resolução CVM 244, de 29 de maio de 2026. A carta da Amec e das entidades pede a revogação da recente decisão da autarquia. O posicionamento gerou forte repercussão na mídia especializada com matérias publicadas no Valor Econômico, Veja, Neomondo, entre outros veículos.

O jornal Valor Econômico dedicou um editorial publicado no último dia 8 de junho com o título “Recuo da CVM sobre informe de sustentabilidade é nocivo”, no qual menciona e apóia a manifestação conjunta das entidades.